Entrevista: Sandra Lemos fala sobre Vozes Dissonantes, seu quarto livro, e os conflitos de uma protagonista intensa
A escritora Sandra Lemos está lançando seu quarto livro, Vozes Dissonantes, uma obra que mergulha fundo nas contradições humanas e nos dilemas de uma protagonista que carrega o peso das próprias escolhas. Com uma narrativa intensa e envolvente, Sandra reafirma sua habilidade de criar personagens complexos e histórias que permanecem ecoando na mente do leitor.
Em entrevista ao blog, ela falou sobre a criação de Vozes Dissonantes, revelou detalhes do processo criativo e refletiu sobre sua evolução como autora. Confira:
C: Seu quarto livro, Vozes Dissonantes, já está nas mãos dos leitores. Quais sensações você acredita que vai despertar nos leitores logo de cara?
S: Acredito que despertará sensações distintas e, talvez, contraditórias, pois a temática que alinhava toda a narrativa a saber, o universo feminino, não nos permite ser imparciais.
C: O que mais te inspirou para escrever esse livro?
S: A possibilidade de ser um eco para as vozes de muitas pessoas que, silenciadas pelo medo e abandono, nem sequer recebem um desagravo, um respaldo, que garanta a integridade de suas vidas.
C: Como você enxerga a evolução da sua escrita desde o seu primeiro livro até agora?
S: Acredito que o desenvolvimento da minha escrita se dê a partir de dois fatores diferentes: maior liberdade criativa e evolução do pensamento crítico, advindo de uma percepção mais acurada das experiências e fenômenos do mundo.
C: O que diferencia Vozes Dissonantes das suas obras anteriores?
S: Esta é uma obra, como as anteriores, com um foco existencialista, mas com um tom mais filosófico e poético.
C: O processo de escrita foi mais fácil ou mais desafiador desta vez?
S: Todo processo do faber- (criar) da ars poética (arte poética) é sempre desafiador, mas mais desafiador é imprimir a palavra no papel, colocá-la com responsabilidade, não como mero elemento parte de um texto, uma palavra vazia, mas algo relevante.
C: Você segue alguma rotina ou ritual na hora de escrever?
S: Cada autor adequa sua escrita ao seu modo de lidar com a vida. A escritura, para mim, só começa a se concretizar, a tomar forma, depois que a estória se completa na mente. Não há uma rotina severa a ser seguida, apenas um horário e lugar em que possa estar em silêncio.
C: O que mais te surpreendeu durante a escrita desse livro?
S: O quanto se fala sobre a temática do livro, o feminino, tanto de forma consciente, quanto inconsciente, sem se dar conta das premissas que se criam, fundamentadas por um determinismo arcaico e por uma desconstrução contemporânea, reduzindo essa imagem a um produto resultante de um processo comparativo.
C: A protagonista te surpreendeu durante a escrita?
S: Todos os personagens surpreendem, pois o autor cria a essência da personagem, mas não a domina; esta naturalmente segue seu próprio caminho. Parece difícil compreender, já que o autor escreve a estória do início ao fim, decide tudo. Não, o que define o caminho da personagem é seu DNA. Há sempre surpresa.
C: Como é sua relação com os leitores após quatro livros publicados?
S: Em geral, as pessoas relatam as sensações, as impressões, suas opiniões quanto à leitura da obra, no entanto, na maioria das vezes me falam sobre um personagem que, de alguma forma, os impactou. Depois do lançamento dos livros tenho feito um bate papo presencial com leitores para discutir sobre a obra. Haverá um bate papo sobre Vozes Dissonantes em julho, aberto a quem queira participar. Caso haja interesse, vou postar o local, data e horário no Instagram.
C: Você se sente mais segura ou mais pressionada a cada novo lançamento?
S: Hoje, me sinto sem pressão alguma, pois assumi a minha escrita como estilo e forma de comunicação e percepção do mundo, é a minha língua. Para mim, cada lançamento de uma obra traz consigo a expectativa de como esta será lida, do impacto que trará na forma em que o leitor vai perceber sua vida depois de ter observado um novo universo, ao trocar seus óculos.
C: Como você enxerga o atual cenário do mercado editorial brasileiro?
S: O cenário do mercado editorial é desafiador, tanto para as editoras quanto para os escritores. Hoje, num tempo em que se produzem e se lançam centenas de livros mensalmente, na contramão de um público leitor muito pequeno, ainda temos que colocar nessa equação a questão primeira e de maior importância: O que é literatura?. E esta questão dirige-se ao âmbito da poesia e ficção. Como levar uma obra à maioria dos leitores, se há tantos interditos para os autores? Há muitos fatores que precedem a qualidade da obra. As editoras não estão dispostas, num mercado tão difícil, a apostar no abismo do desconhecido, o autor que não é famoso por ser premiado ou por estar nas mídias, nem é ouvido por essas editoras; sendo assim, aqueles que se aventuram nesse mercado acabam por arrumar outras saídas para divulgar seus trabalhos e sair da invisibilidade.
C: Já pensou em adaptar suas obras para outras mídias? Qual você acredita que seria a melhor escolha para uma primeira adaptação de suas obras?
S: Sim, já pensei na possibilidade de adaptar para outras mídias. Penso numa especificamente, mas, ainda de forma precoce. Hoje, Vozes dissonantes está disponível em forma física, ebook na Amazon e em áudio livro no Tocalivros.
C: Fiquei sabendo que vai rolar uma mesa de autógrafos na Bienal do Livro do Rio desse ano, onde e quando os leitores poderão te encontrar?
S: Estarei na Bienal do livro no dia 18 de junho no stand da Editora Ipê das Letras. Estarei lá não só para a sessão de autógrafos, mas também para um bate-papo com os leitores e estarei, também, na Feira do Livro, em São Paulo, no dia 19 de junho das 13 às 16h.
Com Vozes Dissonantes, Sandra Lemos nos convida a acompanhar uma jornada íntima, onde as vozes mais difíceis de silenciar são aquelas que vêm de dentro. Um livro que reafirma sua força como autora e marca mais um passo consistente em sua trajetória literária.

